Multidão toma as ruas de Porto Alegre em caminhada com Lula a seis dias do segundo turno

Milhares de pessoas participaram de uma caminhada com Luiz Inácio Lula da Silva em Porto Alegre, em 19 de outubro de 2026, seis dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Segundo a reportagem de referência, democracia e soberania estiveram entre os temas mais repetidos pelos participantes e pelas lideranças.

O percurso começou no Largo dos Açorianos e seguiu até o Mercado Público, com bandeiras, música e cantoria. A reportagem informa que não havia estimativa oficial de público e registra que Lula avaliou o ato como possivelmente o maior já realizado na história da capital gaúcha.

Além do presidente, candidato à reeleição, participaram lideranças políticas e apoiadores de diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Entre os entrevistados estavam estudantes, trabalhadores e aposentados, que relacionaram a mobilização à defesa da democracia, de direitos e de políticas públicas.

caminhada de Lula em Porto Alegre

Os discursos também abordaram a disputa eleitoral e temas de governo. A cobertura reúne ainda relatos de participantes, declarações de Lula sobre a eleição e propostas apresentadas no palanque.

Público e motivos dos participantes na caminhada

Entre as pessoas ouvidas durante a caminhada de Lula em Porto Alegre estava Jana Alexandra, nascida na capital e moradora de Ivoti. Ela contou que cresceu na periferia, ficou órfã junto com a irmã e atribuiu sua trajetória de estudos a políticas públicas destinadas a pessoas em situação semelhante.

Jana afirmou que a eleição exigia mobilização nas ruas, nas redes sociais e entre familiares. Na avaliação dela, a reeleição de Lula poderia conter o avanço da extrema direita, que, segundo disse, governa em diferentes lugares do mundo, inclusive na América Latina.

Luciana Braz Nunes, assistente social natural de Alegrete e moradora de Porto Alegre há 50 anos, apontou democracia, soberania, liberdade e dignidade como motivos para participar. Ela associou uma vitória de Lula à garantia de direitos e, em contraste, avaliou que a eleição de Flávio Bolsonaro poderia trazer perda de direitos e autoritarismo estatal.

A aposentada e ex-metalúrgica Maria de Lourdes Vedói, moradora do Sarandi, relatou ter sido atingida pela enchente e disse que não recebeu auxílio federal. Já Gicelda Rodrigues de Morais, aposentada de 68 anos, foi ao ato para ver Lula e contou ter convencido uma filha a votar nele; a estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Zandria Sanchez relacionou as cotas ao acesso à universidade pública, enquanto sua mãe, Silvia Lourenço, técnica de enfermagem de Alvorada, falou em defender conquistas sociais.

Lideranças políticas e discurso de Lula sobre o Rio Grande do Sul

O ato reuniu lideranças como Manuela d’Ávila (Psol), Paulo Pimenta (PT), Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola (PDT), além de parlamentares estaduais e federais. No carro de som, o ex-governador Olívio Dutra, de 85 anos, convocou eleitores de diferentes idades a votar em Lula no dia 25 de outubro e saudou a democracia e a população de Porto Alegre.

O senador Paulo Paim (PT) chamou o evento de “caminhada da virada” e recordou sua relação de décadas com Lula, mencionando a atuação do presidente na aprovação das 40 horas. Rui Costa (PT), por sua vez, evocou a história política gaúcha, citando Getúlio Vargas, Leonel Brizola e a Campanha da Legalidade, e afirmou que a democracia também deve se expressar por meio de políticas públicas.

Rafael Fonteles (PT), governador do Piauí reeleito no primeiro turno de 4 de outubro, pediu apoio a Lula e dirigiu um apelo aos descendentes de nordestinos que vivem no Rio Grande do Sul. No discurso, o presidente recordou visitas ao estado e sua convivência com Olívio Dutra e Paim, a quem conhece desde a década de 1980.

Lula afirmou que o Rio Grande do Sul já havia sido símbolo de resistência contra a ditadura militar, mas que a direita ganhou espaço no estado em outro período. Ao encerrar, declarou que a mobilização mostrava um estado de trabalhadores, estudantes, mulheres e homens que não seria de direita nem conservador; no primeiro turno, ele havia obtido 48,57% dos votos válidos em Porto Alegre, ante 41,86% de Flávio Bolsonaro (PL).

A declaração de Lula sobre a abertura de sigilos

Em Porto Alegre, Lula anunciou que assinou uma procuração para autorizar a abertura de seus sigilos bancário e telefônico, assim como os da esposa e dos cinco filhos. Segundo o presidente, o documento seria entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 20 de outubro, e ele cobrou que Flávio Bolsonaro adotasse a mesma medida.

Lula disse ter incluído os filhos porque, segundo afirmou, sua família é alvo de acusações a cada eleição. Ao pedir que o adversário demonstrasse honestidade, questionou a origem de “134 milhões” e como Flávio teria comprado à vista uma casa de R$ 10 milhões com um salário igual ao seu.

O tema dos sigilos já aparecia na campanha: em 9 de setembro, Lula havia defendido a abertura dos sigilos de todos os envolvidos no caso Banco Master. A reportagem também registra que a Polícia Federal apurava repasses do banco aos Estados Unidos relacionados a Flávio Bolsonaro.

Flávio afirmou que uma contratação mencionada no caso não chegou a ser realizada e negou irregularidades. No discurso em Porto Alegre, Lula também se referiu ao adversário como “miliciano” ao comentar o debate entre os dois realizado pela Band em 18 de outubro, e disse que aquela seria sua última disputa eleitoral.

Propostas de campanha e apelo aos eleitores

Entre as medidas apresentadas no palanque, Lula citou uma anistia de dívida ativa da União para microempreendedores individuais (MEIs) que não teriam condições de pagar. Segundo ele, o governo havia enviado uma proposta para adquirir essas dívidas em leilão, com expectativa de desconto de cerca de 95%.

O presidente também anunciou um Pix de R$ 5 mil para quem se livrasse da dívida e afirmou que o valor não seria empréstimo, mas uma iniciativa do Estado para permitir que essas pessoas recomeçassem sem débitos. A medida foi apresentada junto à proposta voltada às dívidas dos MEIs.

Lula defendeu ainda o fim da escala 6×1, que, segundo ele, garantiria dois dias de descanso por semana; a proposta de emenda à Constituição havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 14 de outubro de 2026. Também disse que encaminharia ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição para oferecer transporte gratuito nas cidades que já contam com o serviço, com financiamento por emendas parlamentares.

Ao pedir votos, Lula incentivou os apoiadores a conversarem com pessoas que não haviam votado no primeiro turno, inclusive eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo. Ele relacionou a disputa à defesa da soberania e da dignidade do país e citou entre as bandeiras de campanha o fim da escala 6×1 e o combate ao feminicídio.